sábado, 25 de abril de 2015

Colocação da dívida interna abaixo de 1%

O relatório desta semana do Banco de Angola consolida a evidência de que os objectivos de captação de «poupança» interna estão a ser cumpridos à razão de um por cento, conforme já ficara patente, apesar do forcing (para evitar o make up) mediático de há 3 e 2 semanas atrás. Está tudo em velocidade de «cruzeiro»: injecção de ~300 milhões de dólares por semana; colocação de TT < 1% .

A única novidade propriamente dita da semana é portanto a substituição da «montra», com a apresentação de um novo gráfico, para substituir o «maquilhado», aqui insistentemente denunciado ao longo das últimas semanas. No entanto, a emenda é pior do que o soneto... Uma das regras básicas de apresentação de gráficos, que pelos vistos os relações públicas dessa instituição desconhecem, é evitar a redundância que transforma o excesso de informação em simples poluição. O mesmo que o pleonasmo, em matéria linguística. Quando um conjunto de dados pode ser obtido em função de outro (por soma, diferença, multiplicação, divisão, ou qualquer combinação entre estas operações), não conta, não amplia os nossos graus de liberdade. Ou seja, o que deveriam ter feito, era apresentar apenas uma linha, qualquer uma delas, e dar a fórmula (por exemplo que «a taxa média foi inferior em ...»). É muita matumbice: é como dizer que as taxas médias de referência diárias estão a «subir para cima» [ou dizer «lamber com a língua» (pois havia de ser com quê?)].

Estão realmente a subir para cima e, ainda por cima, muito acima daquilo que mostram.

CC - Cara de Caso

José Eduardo dos Santos minimizou, perante o Comité Central, os «pequenos focos de instabilidade e de tensão em certas localidades». Então para que é a cara de caso?

Apela ainda, segundo o Portal de Angola, a «manifestações de repúdio contra as tentativas de pôr em causa a paz, a estabilidade social e a unidade nacional».

Que o seu desejo seja exalçado. Seja feita a sua vontade. [atendendo a que é o maior inimigo da paz, da estabilidade e da unidade]


Com esta linguagem corporal os ratos não tardarão a abandoná-lo e ao navio... Um discurso chocho e sem alma, cozinhado pelas suas penas de aluguer... Não passa já de um homem derrotado: qual a necessidade de prolongar a agonia?

France 24 traduzida


Morte de clandestino coloca a descoberto a «caça» aos estrangeiros em Luanda

Um comerciante clandestino originário da Guiné-Bissau morreu depois de ter sido percutido por um táxi, quando tentava escapar a um controlo da polícia. A sua morte provocou a cólera dos imigrantes da África Ocidental, que se dizem assediados quotidianamente pela polícia angolana.

ATENÇÃO, ALGUMAS IMAGENS PODEM CHOCAR

Na Terça-feira dia 22 de Abril, Mamadu Injai Darame, comerciante originário da Guiné-Bissau com identificação da Guiné-Conacri, dirigia-se, a pé, para o Bairro Cuca em Luanda, onde tinha por hábito apanhar um táxi para voltar para casa, depois de uma manhã de trabalho. Repara então que dois polícias de moto se aproximam, polícias conhecidos por tomarem frequentemente os imigrantes como reféns para exigirem resgate. Como não dispunha da documentação legal, tinha medo de ser expulso do país, e coloca-se em fuga em direcção de uma via da auto-estrada, perseguido pelos polícias. É então percutido por um táxi, provocando-lhe morte imediata.

A polícia angolana tenta então estabelecer um perímetro de segurança, mas é depressa ultrapassada pela multidão em fúria que acusa os polícias de estar na origem da sua morte. Os populares conseguirão finalmente tomar conta do cadáver e organizam um ajuntamento espontâneo durante dez minutos «para impedir a polícia de levar o corpo», segundo as testemunhas.

VIDEO DA MANIFESTAÇÃO ESPONTÂNEA

O embaixador da Guiné-Bissau encontrando-se fora de Luanda, foi o seu homólogo da Guiné-Conacri que esteve no local, tentando apelar à calma, em vão. Depois da chegada de reforços, a polícia conseguirá, alguns instantes mais tarde, dispersar a multidão e recuperar o corpo.

"O meu amigo morreu porque queria escapar à polícia angolana"

Moctar é comerciante em Luanda. Estava com Mamadu Darame, quando se deu o acidente. «Todos os dias, fechávamos as nossas lojas, e ia com o Mamadu à Praça Cuca, mas sempre com medo. Os controlos da polícia são muito frequentes: os estrangeiros [africanos, presuma-se] são sistematicamente detidos. No melhor dos casos, saem depois de pagar «resgate», que pode atingir centenas de dólares, no caso de polícias especialmente zelosos. No pior dos casos, sendo clandestino, é-se preso e maltratado, antes de ser expulso.

Mamadu tinha 45 anos. Tinha chegado a Angola há pouco mais de sete meses. Como pai de família, tinha decidido deixar a sua mulher e os seus filhos na Guiné-Bissau, para poder garantir a sua subsistência. Éramos ambos comerciantes. Conseguimos ganhar cerca de 500 dólares por mês, quando os negócios corriam bem. Nos nossos países, não conseguíamos mais do que 100. O meu amigo morreu porque queria escapar à polícia angolana para continuar a ajudar a sua mulher e filhos [por enquanto, o corpo do comerciante continua confiado às autoridades angolanas.]

Artigo redigido em colaboração com Alexandre Capron (@alexcapron), jornalista na France 24.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Prepotência caseira

No dia 5 de Março, o violador de Santarém, que assustara as mulheres da minha cidade, era transferido para uma cadeia de alta segurança em Lisboa. A imprensa local (e também nacional), apesar de, por alturas do 25 de Abril produzir inúmeras páginas recheadas de lugares comuns sobre a Censura no Estado Novo, procedem de forma bem mais perniciosa, porque manipuladora e sub-reptícia.

Fez-se tabu sobre «o homem», relativamente ao qual apenas interessou a idade, 42 anos, e a nacionalidade, brasileiro, omitindo-se factos relevantes sobre o respectivo empregador. O violador era caseiro da filha de José Eduardo dos Santos, que mora «numa quinta nos arredores da cidade».

Isto não é um fait divers, é notícia! Se os jornalistas não fazem o seu trabalho, com medo dos processos à Proença de Carvalho, faço-o eu.

Portugal morreu. Não passa de um miserável espectro da passada dignidade, a ponto de se venderem consciências numa imperdoável auto-censura do politicamente correcto. A que propósito haveria intocáveis em Portugal? Isso é um péssimo princípio, com o qual discordo.

Devemos a verdade aos nossos irmãos angolanos, que encetaram o processo da sua libertação. Diria mais: a prepotência convive paredes meias com a família presidencial: é por isso natural e quase congénito que engendre violadores de todo o género (à sua margem ou à sua imagem?).

Mais vítimas da prepotência da polícia angolana

Ainda em fase de «digestão» dos assassinatos resultado da xenofobia na África do Sul, circulou ontem no FaceBook a notícia de um guineense morto pela polícia angolana, o que provocou a legítima indignação de muitas e muitos. As inflamadas reacções a quente evitaram maioritariamente, no entanto, a tentação do discurso xenófobo e da retaliação, imputando as culpas exclusivamente ao espírito intolerante do regime angolano.

Tentando confirmar, junto dos nossos irmãos angolanos da imprensa livre, esta notícia, chegámos à conclusão de que se trata de um cidadão da Guiné, mas Conacri e não Bissau. O que em nada diminui as razões da repulsa, bem representativa de um estado que embora se diga «de Direito» é um estado terrorista. O malogrado era um conhecido e acarinhado chefe de cantina no município de Cazenga, bairro desfavorecido de Luanda: abordado por uma parelha de polícias montados em motas, e conhecendo o que a casa gasta, tentou escapar à odiosa praxe da pequena corrupção endémica, acabando por ser mortalmente atropelado. Tanto o veículo como os dois polícias abandonaram o local, face à indignação da população; pouco depois chegaria o Embaixador da Guiné-Conacri, que conseguiu acalmar os ânimos.

Os armazém e lojas dessa zona comercial fecharam hoje em solidariedade com a morte de Mama Injai. Abaixo a afrofobia em todas as suas manifestações!

Começam entretanto a ser ex-filtradas algumas fotos do genocídio Kalupeteka.


Só nesta podem contar-se mais que os 13 mortos oficiais... E é apenas a ponta de um imenso iceberg. E a «caça» continua, segundo certos relatos.

Enquanto isso, a CPLP não tuge nem muge. Caladinhos que nem os ratos que são. O regime angolano, num último estertor para tentar contrariar a sua inevitável queda, engendrou uma monstruosa maquinação, envolvendo o genocídio dos seus próprios cidadãos, para assustar a população e impedir a vaga que se prepara para sair à rua, recorrendo ao terror e à intimidação. José Eduardo dos Santos ao Tribunal Penal Internacional JÁ!

Brilhante análise

Albano Pedro esgotou o assunto, no Club-K, ao colocar o dedo na ferida, imputando inequivocamente a responsabilidade ao regime, pela vergonhosa carnificina em Caála. Começando pela falácia de «ilegalizar» uma seita ilegal, as «autoridades» angolanas expõem à exaustão a paródia de mau gosto do «Estado de Direito» em que se transformaram.

Um discurso de estadista, manifestamente aquilo que fez falta a José Eduardo dos Santos. A não perder.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

O princípio da inevitável mudança

Rafael Marques saiu de um segundo adiamento do seu julgamento como um claro vencedor, para não dizer um herói: até os polícias disputaram o seu livro!

Num importante pronunciamento, de desafio à «autoridade», cuja vontade era condenar o activista, os generais comprometem-se a melhorar o respeito pelos direitos humanos nas Lundas, precisamente o objectivo dos Diamantes de Sangue. Mais do que uma simples crítica literária, a mensagem para José Eduardo dos Santos é clara: vá-se embora a bem, enquanto é tempo.


Viva Nito Alves! Viva Rafael Marques!

(confesso que chorei ao ver a fotografia)

Economia real

Domingos da Cruz, num brilhante e oportuno artigo de reflexão económica, que o Club-K acaba de publicar, vem uma vez mais confrontar os ignorantes do regime com o seu elevado estatuto de intelectual orgânico (conceito, aliás, desconhecido pelo MPLA), demonstrando à exaustão que Angola possui uma força anímica bem mais consistente fora dos círculos do poder, com muitos dos seus filhos mais capazes sistematicamente excluídos da governação do país pela inveja dos medíocres já estabelecidos, num interminável ciclo vicioso.

Estimulado pela proposta do Mestre, ouso ir mais longe, defendendo a criação de um sistema de troca de vales: cada operador económico esforça-se por produzir o máximo, titula em vales (numerados, autenticados e com local de levantamento, nº de telemóvel e outras informações que julgue por bem) e depois troca com uma rede que se esforçará por alargar (eventualmente recorrendo à internet), para diversificar a oferta. Entretanto, com empenho e dedicação, as várias redes hão de se entroncar, formando um sistema de verdadeira economia real, que permitirá dispensar a farsa que representa a moeda do tirano.

Com um pouco de prática, estudando a evolução dos termos de troca e indexando o valor de alguns bens básicos, seria possível emitir uma moeda verdadeira, sustentável e propiciatória da iniciativa dos angolanos, sem inflacção e independente da cotação internacional do petróleo. Quanto aos kwanzas? Sempre poderiam servir, enquanto não surge uma oferta nacional de papel higiénico reciclado.

E Domingos decerto daria um excelente Ministro da Economia e Finanças.

Caçados como coelhos

O regime angolano, em busca de diversificação da economia, para a tornar menos dependente do petróleo, equaciona o desenvolvimento de um novo desporto nacional: a caça aos pobres. Apostando no segmento do turismo VIP, está previsto o lançamento do SAFARI SEITA. O pacote a providenciar pela agência estatal a criar para o efeito incluirá, para além de alojamento de luxo, o helicóptero, as armas e as munições, bem como a localização das manadas de ovelhas: só precisarão de fazer pontaria... As expectativas são animadoras, espera-se um aumento do PIB superior a um por cento, para além, claro, dos efeitos virtuosos nos objectivos do Milénio, em termos de redução da pobreza.

PS Para prevenir a desconfiança dos cidadãos, seria bom que as Forças Armadas lavassem as mãos de um eventual envolvimento num acto hediondo, odioso e inaCEITAvel.

MR sai à rua

Raúl Mandela anunciou via VOA que o Movimento Revolucionário estará na rua dia 2 de Maio para pedir a libertação dos activistas cabindas ilegalmente detidos Marcos Mavungo e Arão Tempo, no mesmo dia em que os ex-militares também o fazem.


Na opinião de Nuno Dala: «Quanto à Oposição, será que cumprirá mesmo a promessa ou - mais uma vez - vai demonstrar que não tem coragem política? Eis a questão!» ou, noutra mensagem via FaceBook:

«O CAMINHO É A RUA!
A OPOSIÇÃO TODA DEVE LEVAR O POVO À RUA!
É PRECISO PARALISAR TODA ESTA MÁQUINA QUE HÁ 40 ANOS URINA PERMANENTEMENTE NO ROSTO DOS ANGOLANOS!
»

Contribuinte português financia regime sanguinário

Portugal, violando as regras de dumping da União Europeia, decidiu oferecer a José Eduardo dos Santos um «cabaz» anti-inflacção de 500 milhões de euros, desfalque disponível a partir da semana que vem.

O Estado Português decidiu-se a aforrar moeda local, depositada no sistema bancário angolano. O curioso é ser do domínio público que não há [hoje] dólares para comprar, em Luanda, a menos de 170 kwanzas por unidade. Ou seja, os 500 milhões de euros, passam instantaneamente a valer apenas 324. No entanto, como esses depósitos ficarão à espera de vez, na extensa fila para o câmbio oficial, o seu valor tenderá, a curto prazo, para um redondo zero.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Bandarra, António Vieira, António Conselheiro, Kalupeteka

A CPLP (Comunidade dos Países de Língua Profética) prepara-se, aparentemente, para ignorar as barbaridades cometidas por José Eduardo dos Santos. Quando as pessoas não têm o mínimo de condições de vida que as riquezas do país poderiam proporcionar, devido aos vícios sobejamente conhecidos, e, para além disso, são mantidas num estado de indigna submissão e humilhação perante o poder, pior que a escravatura (que pelo menos era «legalmente» assumida), as fileiras dos profetas engrossam naturalmente.

«Os líderes messiânicos não são psicopatas megalómanos, mas místicos ou ascetas frequentes na tradição judaico-cristã, dotados de qualificações intelectuais acima da média de seus liderados; no mínimo, homens informados, com vivência em ambientes sociais diversificados e profundos conhecedores da cultura religiosa tradicional» (NEGRÃO, 2005)

Recomendo ainda vivamente a leitura do pequeno artigo de Isaac Júnior e Luciana Pereira, do qual faço um pequeno extracto, tendo em conta que as suas conclusões, se bem que referentes à zona da Baía e Nordeste Brasileiro, podem perfeitamente ser transpostas para a actualidade angolana:

«O desejo permanente de sobreviver e sobretudo perpetuar a fé, o sofrimento muitas vezes enxergado como penitência, onde a única saída seria a crença no milagroso, com ritos e rezas.  Portanto, o sebastianismo português e nordestino teve a força de vigorar em sistemas devastados, seja por ideologias ou por falta de perspectivas de vida, em que também imperava a religiosidade, e tinha como foco a possibilidade de um horizonte de deslumbre, porém, verdadeiramente real para os seus adeptos.

Como se pode perceber, em torno dos movimentos sebastianistas não podemos deixar de destacar a imaginação e o sonho idealizado, que permeia o sentimento humano. Podemos identificar em todos os movimentos citados que todos tinham em comum o tratar-se de sociedades camponesas, coletividades marginalizadas, marcadas pelo abandono político, religioso e social em que viviam. As aspirações de um povo que vê os seus valores sendo destruídos por instituições sem eficácia, acabam por esvaziar a esperança no presente e no futuro
»

Quando foram os Censos, tinham achado que estavam perante uma abordagem abusiva e recusaram-se a responder... as «autoridades» foram lá, tentaram comprar o chefe oferecendo-lhe um carro e muitas mordomias (esta gente só funciona em função do dinheiro). Um impressionante número de mortos enterrados a catterpillar numa história mal contada... mas bastante reveladora da falta de expectativas e total dissolução mental da actual hierarquia angolana. A verdadeira questão sobre a qual José Eduardo dos Santos deveria reflectir, é a razão pela qual um discurso simples, de respeito pela dignidade humana, estava a atrair massas cada vez maiores, se este não lhes dava «nada» (fossem kwanzas ou dólares, subentenda-se).

Tudo isto apresentado como defesa da fé católica. No entanto, mesmo considerando o perigo que representava para a autoridade aquele que se intitulava «Rei dos Judeus», nem Pôncio Pilatos recorreu a métodos tão expeditos como os agora utilizados pelo regime angolano! Matar toda a gente, incluindo crianças! e a tortura até à morte de alguém, apenas porque pensa diferente? Enquanto isso, a voz do dono exige «profundas reflexões sobre o exercício ilegal da liberdade de culto» alertando para a «potencialidade de grupos religiosos ilegais praticarem actos contra a vida humana, devendo tomar-se medidas céleres para que preventivamente se evitem acções contrárias às leis». Tudo fica portanto justificado, à posteriori, por se tratar de profilaxia preventiva (passe o pleonasmo). Tal como os activistas de Cabinda, que foram preventivamente presos antes mesmo de praticarem o «crime».

Canudos, Pedra Bonita, Caála. E bico caálado!

É proibido sonhar.

DEAm-nos orgias!

A impoluta moral dos carcereiros de Bubo ficou ontem bem patente na demissão da chefe da DEA, a pretexto de «orgias» dos seus agentes em serviço, supostamente pagas pelos barões da droga.

Esta história «sexual» é só a ponta do iceberg! pois toda a gente sabe que as únicas pessoas que prendem, para apresentar trabalho, são pessoas um pouco ingénuas, como Bubo, sem esperteza suficiente (como Injai) para desconfiar das grosseiras armadilhas que armam com o objectivo de camuflar a verdadeira utilização da Agência com as suas «reservas estratégicas» de estupefacientes, órgão de financiamento de operações político-militares encobertas, sobretudo na América Latina. Quem não se lembra do seu menino bonito, Noriega, que de bestial (enquanto apenas traficava droga para a DEA) passou a besta, quando quis defender os interesses do seu país na renegociação das condições de concessão do Canal.

De facto, a DEA é mais uma vítima da clara alteração de política norte-americana, assumindo (finalmente!) que não têm condições para continuar a alimentar o discurso de prepotência a que nos vinham habituando desde a queda do Muro. Há que proceder a alterações radicais nos procedimentos da administração... A hipocrisia e a manipulação tornam-se menos necessárias, quando deixamos de nos considerar donos do mundo, e o Outro passa a ter o seu papel! A Rússia percebeu muito bem essa alteração e está empenhada numa campanha de charme para reocupar o lugar que julga que é seu por «Direito», juntando-se à China, que entretanto também ganhou o seu lugar, nesse tabuleiro global que parece caminhar para um mundo tripolar, que terá de fazer face à multiplicação de novas ameaças, implicando realinhamentos inteiramente novos e insuspeitos, novas alianças, novos paradigmas diplomáticos e geo-estratégicos.

Resta-nos esperar que o Mundo fique a ganhar com a Nova Ordem, com alguma pacificação dos imensos focos de conflito periféricos, e, em termos de equilíbrio, relativamente à Guerra Fria (que, de facto, foi uma paz duradoura com extermínio mútuo garantido), por uma triangulação menos maniqueísta.

terça-feira, 21 de abril de 2015

Plenário

Orientada pelo Presidente dos Santos, está a Assembleia reunida em Plenário, depois de votada por unanimidade a ordem de trabalhos. Os deputados da Oposição julgaram que em pleno ar estariam em maior comunhão com os vulgares cidadãos, pelo que abandonaram o hemiciclo aquando da votação da Lei do Registo Eleitoral oficioso.

Sala dos azulejos no Palácio de Queluz

Nesta sala encontram-se representados os quatro continentes associados às quatro estações do ano. Apresento, deste ângulo, a prima Vera, uma bela angolana.

FLECtir JES

A FLEC exige a libertação imediata dos presos políticos e denuncia a prática corrente de graves atentados aos Direitos Humanos.

Auto-mobilização

De todos os desmobilizados, descartados, humilhados, que se sentem traídos por José Eduardo dos Santos (que fez de Angola um couto privado desprezando o sangue vertido).

Em solidariedade com Mário Faustino que, acompanhado por uma comissão representativa de três organizações de ex-militares, entrega hoje um ultimato ao Presidente da República no Governo Provincial de Luanda.

Ad eternum

Convidam-se todas as angolanas e todos os angolanos (convoquem as amigas e os amigos) a dirigirem-se hoje à Assembleia Nacional reunida em Plenário para que, no fim da votação aprovando a lei que sacra José Eduardo dos Santos como Presidente vitalício, possam manifestar espontaneamente e em uníssono, com vibrantes Vivas!, a sua alegria e contentamento, com mais esta vitória da democracia. O momento justifica-o.

Requiem por José Eduardo dos Santos

Um estado que não consegue providenciar à imensa maioria dos seus cidadãos condições minimamente condignas de abastecimento de água ou luz, de saneamento básico, provoca uma hetacombe, de dimensões ainda por apurar, argumentando, para legitimar a sua «limpeza», que as vítimas eram anti-sociais e se queriam isolar no mato? Então porque não os deixaram em paz ir à sua vidinha, se não incomodavam ninguém? Ficou perfeitamente documentado, com o caso Kalupeteca, não só o carácter monstruosamente totalitário da ditadura de José Eduardo dos Santos, como também o absoluto controlo dos meios de comunicação social, os quais, na ausência de espírito crítico ou contraditório, encobriram um cenário apocalíptico. Que Estado é o angolano que, sem mostras de qualquer escrúpulo, assassina em massa os seus próprios cidadãos?

Hoje Kalupeteca, amanhã Samakuva, depois de amanhã Chivukuvuku. Abatidos ao efectivo ou atirados aos jacarés, pouco importa, depois de um processo sumário.

É a apologia da arbitrariedade e da violência gratuita, veículo de uma pedagogia rasca da submissão. Conseguirá José Eduardo dos Santos intimidar e desmobilizar para sempre a todas e a todos, dividindo para reinar? Ou terá chegado a sua hora de enfrentar o julgamento final e de ser condenado às chamas do Inferno?

Amílcar Cabral no epicentro de Luanda

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segunda-feira, 20 de abril de 2015

Inventona em 3 actos

Genocídio

Intimidação

Aos propagandistas do «clima propício» do Jornal de Angola, fica apenas uma pequena rectificação. A referida Lei, que consagra José Eduardo dos Santos como ditador vitalício, vai a aprovação final amanhã, dia 22.

Gostaria de evocar, a este propósito e nesta «quadra», Salgueiro Maia, às cinco em ponto da tarde do dia 25 de Abril, quando entrou no Quartel do Carmo para acertar os termos da rendição do regime. Reuniu com Marcelo Caetano, o único dos governantes presentes que conservou alguma dignidade em face da situação, o qual se lhe dirigiu aproximadamente nestes termos: «Já sei que já não governo. Arranje-me um General, para o poder não cair na rua».

Conversa de Chefes













Com o patrocínio da marca de luxo:

Q contra K

Em rápida propagação via Twitter e Blogosfera, uma manobra de desinformação contra o Club K, com origem no Jornal Q: tentando rentabilizar a indignação e repugnância contra o assassinato de um português ocorrido ontem, este jornal relança, sem data, um caso similar de 2012, apenas para acusar o Club K de incentivar o ódio aos portugueses, fazendo crer que se trata da actualidade e como se o Club K fosse responsável pelos comentários... [Basta ler os comentários às notícias no DN para arranjar loucos a debitarem barbaridades bem piores!]

As maquiavélicas intenções destes mercenários da informação ao serviço da ditadura, são evidentemente de lançar a confusão, inserindo-se na campanha de intoxicação dos Zés (Ribeiro e dos Santos), contra o Club-K... O regime, pressentindo um fim próximo, tenta arranjar bodes expiatórios, lança anátemas contra tudo e contra todos, tentando cobrir, com cortinas de fumo, as evidências da sua derrocada, promovendo a intolerância e agitando o espantalho da violência.

Desinformação em 3 passos:

1) O engodo ou chamariz: o jornal avança que não foi apenas um português que morreu, mas dois, o que dá origem à sua propagação.

2) O isco: no meio das «cachas», aparece destacado a vermelho, um link «Leia Também»

3) O anzol: o Club-K acusado do conteúdo de comentários, e referente a um caso desactualizado. Claro que, a partir daí, a propagação é fácil, a farsa alimenta-se a si própria e transforma-se em «notícia» por si só, encarnando num verdadeiro hoax por encomenda.


A forte (e «oportuna») reacção ao caso dos polícias mortos aponta no mesmo sentido...Começam a surgir relatos via FaceBook e redes sociais, do assassinato sumário de várias centenas de pessoas (incluindo crianças) e, sintomaticamente, insinuações da apreensão de propaganda, na tentativa de conotar o caso a «outras forças», chantageando a UNITA, para que esta não saia à rua.  Trata-se obviamente de mais uma conspiração destinada a intimidar os angolanos.

Entre o Lixo e o Luxo

Grande reportagem do Público, do país das desigualdades gritantes, onde uns poucos têm milhões e milhões não têm quase nada, onde a miséria convive com uma mania verdadeiramente patológica de ostentação.

Utilidade do sistema bancário nacional

Há três anos atrás, Rafael Marques escrevia no Maka Angola, sob o título (passe a redundância do «dispersos») Desmobilizados dispersos a tiro

«O chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas Angolanas (FAA), general Geraldo Sachipengo Nunda, dialogou com uma comissão de ex-desmobilizados e deu garantias de resolução dos seus problemas na semana seguinte.

No mesmo dia, à noite, o Ministério da Defesa e o Estado-Maior General das FAA emitiram um comunicado conjunto em que assumiam o compromisso de pagar os subsídios dos ex-militares “tão breve quanto possível, através do sistema bancário nacional”. No referido comunicado, o exército apelava “à calma e compreensão de todos os ex-militares, porque já foram tomadas as medidas necessárias para resolver a situação”.

Eurico Jeremias, de 54 anos, está à espera dos seus subsídios há vinte anos. Foi desmobilizado em 1987, após 16 anos de serviço militar, após ter perdido o olho direito numa batalha. “Vimos manifestar-nos frente à embaixada americana, porque o nosso governo não nos ouve. Aqui, fomos travados pela cavalaria, a brigada canina e o gás lacrimogéneo que atiraram contra nós”, disse o manifestante.»

Por parte do regime, o CEMGFAA será responsabilizado por ter cão e por não ter. A sua responsabilidade deve ser encarada do ponto de vista dos angolanos, pela visão de reconciliação que o gesto presidencial significava com a sua nomeação ao cargo. Há três anos traiu as expectativas criadas pelas suas declarações: de boas intenções está o inferno cheio; admitindo a sua boa fé, resta-lhe entregar o responsável pela traição à palavra dada e aos compromissos assumidos em seu nome.