sexta-feira, 18 de Abril de 2014

Nulidade absoluta

Com um volume de nulos aparentemente mais do que suficiente para alterar a correlação de forças na Assembleia, é incompreensível o secretismo e a falta de à vontade da Comissão Nacional de Eleições (fazendo-se rodear por forte aparato militar da ECOMIB), bem como a apresentação com tanto atraso dos dados parciais (dos quais resultam por somatório os dados nacionais apresentados).

Atrás de um comboio de nulos, pode esconder-se muita coisa. A Comissão Nacional de Eleições deve, para já: apresentar imediatamente os totais de votantes, de votos nulos e brancos, mesa a mesa, como sempre se fez em eleições anteriores na Guiné-Bissau, procedimento básico em qualquer eleição. Qualquer atraso na revelação destes dados será motivo para desconfianças justificadas quanto à transparência do processo eleitoral e motivo suficiente para que seja equacionada a sua nulidade.

A Comissão Nacional de Eleições, para que não restem dúvidas, deverá ainda publicar, em nota metodológica, os procedimentos adoptados para garantir a integridade das urnas, a contagem e o respectivo registo, bem como os mecanismos de observação internacional relacionados. Depois de tantos elogios ao civismo do povo guineense e ao bom desenrolar destas eleições, exige-se um máximo de transparência e que não restem dúvidas que manchem a sua credibilidade ou atraiçoem a vontade popular.

quarta-feira, 16 de Abril de 2014

Condições de governabilidade

Logo conheceremos os resultados provisórios. As perspectivas apontam para uma redução do número de deputados do PAIGC, baixando dos dois terços dos lugares na Assembleia, para cerca de metade. A elevada afluência às urnas, veio sobretudo demonstrar a vontade de empossar um novo Governo civil cuja legitimidade esteja acima de qual suspeita. Mas será um erro considerar esta vontade popular, expressa pelo voto, como um cheque em branco: o voto de confiança representa essencialmente uma aposta para o futuro, assente em expectativas que o PAIGC saiba aproveitar proactivamente esse mandato de esperança, em prol de um projecto nacional consistente de reforma do Estado.

É chegado o momento da verdade para o líder do PAIGC: com a divulgação dos resultados das eleições nos seus traços gerais, serão de extrema importância a atitude e os primeiros gestos que fizer. Pela amostra se verá a consistência do seu discurso eleitoral, que alimentou fortes expectativas de inclusividade política; contrariando assim a mentalidade do «vencedor fica com tudo», tão viva e oportunamente denunciada pelo representante do Secretário Geral da ONU, Ramos-Horta. O povo saberá igualmente distinguir se o PAIGC soube apostar numa verdadeira inclusividade, de debate e influência; se o PAIGC respeita os seus compromissos, para com os seus eleitores e perante a nação, ou se a apregoada inclusividade é apenas mera fachada.

É a sua boa fé, já como Primeiro-Ministro, que Domingos Simões Pereira tem o dever de demonstrar por sinais inequívocos. Que é Primeiro-Ministro de todos os guineenses, e que, para além da legitimidade democrática, sabe construir uma subtil autoridade política... Terá Domingos Simões Pereira a coragem para ousar ceder parte significativa do poder que agora adquiriu? A troco de garantias de governabilidade. Esse parece, de qualquer forma, o seu maior desafio: desmarcar-se de modelos de má memória...

«É, e será crucial, ousar partilhar poderes, (...) delegar poderes, no seio dos partidos, e saber também transportar essa dissuasora prática política, para os eixos da governação. As teimosas tentativas para a excessiva concentração de todos os poderes possíveis, numa só figura, tanto ao nível partidário, como ao nível governativo, só acabaram, e acabam sempre mal. O poder político, sobretudo, pela sua importância na vida das pessoas, deve diluir-se num todo, denominado: Estado! Um todo, onde todos os cidadãos se sentem parte, e habilitados de uma maneira ou de outra, a influenciarem dinâmicas necessárias ao seu funcionamento. Assim sendo, torna difícil o que o contrário tem facilitado no nosso caso, que é a recorrente apetência de um grupo derrubar por força das armas, um todo-poderoso fragilizado pela singularidade excessiva, e limitar-se a substituí-lo por um outro todo-poderoso.»

Ver fonte.

Não basta a legitimidade, é também necessária autoridade.

Como afirmou ao jornalista burkinabê Boundi Ouoba, do Le Pays, o presidente da comissão económica da CEDEAO, Desiré Ouedraogo: «Le plus important, c’est ce qui reste à faire après la période électorale, les défis de la réconciliation et du dialogue national inclusif»

terça-feira, 15 de Abril de 2014

PUSD: 2º lugar em Dakar


Para todos os efeitos, e independentemente dos resultados definitivos, o PUSD já é o Partido revelação destas eleições!

domingo, 13 de Abril de 2014

Carmelita Pires já votou


A passagem pelas urnas da presidente do PUSD e candidata a Primeira-Ministra.

Mata-borrão

Constatações prévias

1) O professor Costa Dias tem a mania que é superior ao comum dos mortais.

2) O professor Costa Dias tem a mania que tem sempre razão.

3) O professor Costa Dias tem a mania que sabe escrever.

4) O professor Costa Dias tem a mania que tem piada.

5) O professor Costa Dias tem a mania que tem a mania.

O «professor» Costa Dias, com longa carreira académica, não tem publicados mais de meia dúzia de pequenos estudos sobre a Guiné-Bissau, a maior parte em co-autoria, todos eles cheios de preconceitos e de lugares comuns, intolerável em quem apresenta uma formação de base em antropologia.

O «professor» Costa Dias é um típico sub-produto do assalto das lúmpen-elites de esquerda à universidade, ainda antes do 25 de Abril. Mesquinho, medíocre e ateu, discursa sobre religiões, profana crenças, insulta sensibilidades e pior, envolve-se na realidade estudada com a sensibilidade de um elefante numa loja de porcelanas.

Com a morte de Kumba, lança imediatamente no Público um macabro «artigo» regozijando-se com a morte de Kumba Yalá, a quem trata de «grande perturbador» logo no título.

Esteve em todos os «eventos» montados para coincidirem com o período eleitoral, para defender uma mais que hipotética intervenção da ONU, que Portugal não conseguiu obter, mal grado todos os esforços, enquanto pertenceu ao Conselho de Segurança. Ele esteve na mesa redonda com Zamora Induta e Francisco Henriques da Silva, ele esteve no lançamento do livro...

O professor Costa Dias tem de rever a sua agenda, pois está desactualizada e desacreditada. E aprender a ler o calendário (ou então é a atrapalhação da puta da Alzheimer), anda um pouco deslocado: já nem me lembro em que ano o dia «15 de Abril» calhou «Segunda-Feira», mas este ano não foi, de certeza. «Chefes militares mesmo apavorados com o que lhes poderá suceder por imposição externa/acção externa»? Olhe que nem há dois anos isso aconteceu... «Apavorados»?

De costas ou de barriga, de dia e de noite, é um verdadeiro borrão, julgando que tem o rei na barriga. Mas, se emprenhou de alguma coisa, foi da sua própria estupidez.

sábado, 12 de Abril de 2014

Horóscopo da Semana

Não se percebe em que sondagens se baseia a PNN, para fazer afirmações despropositadas num artigo sobre as eleições na Guiné-Bissau. Inventar é fácil. «As tendências de voto indicam...» E onde é que leram essas «tendências», foi nas estrelas, no tarot ou nos búzios? Foi cara ou coroa? Ou venderam o banner? Isto não é notícia, é pura especulação, se é que não se trata mesmo de uma «venda de publicidade». Isto nunca deveria sair na secção Internacional, mas sim na de Astrologia. Que falta de profissionalismo.

Mas o que são aí na PNN, jornalistas ou adivinhos?

Independentes uma ova!

sexta-feira, 11 de Abril de 2014

Jornalistas bem informados

Demonstra a BBC total falta de profissionalismo. Foram efectuadas diligências, através da ferramenta colocada à disposição pelo seu site para denunciar erros, assinalando a imprecisão do artigo intitulado Will elections bring stability to Guinea-Bissau?, publicado no passado dia 8 de Abril, no ponto em que afirmava que Nazaré de Pina Vieira pertence ao lote de candidatos melhor posicionados para as eleições presidenciais. Essas diligências foram efectuadas menos de uma hora depois da sua publicação. Assinalei igualmente aqui esse erro grosseiro, traduzindo a superficialidade dos jornalistas e sua falta de verificação das fontes. Na ausência de rectificação ou de desmentido, o erro propagou-se a ponto de ainda hoje terem saído artigos como este. Acho engraçada a atitude de todos esses jornalistas e «analistas», prontos a debitarem postas de pescada sobre a Guiné-Bissau, com ares de superioridade e de sabichões, a papaguearem o refrão do narco-estado que lhes venderam.

Recados para Portugal

O Nigerian Tribune, diário de grande tiragem do maior país da África Ocidental, publicou uma entrevista realizada a Carmelita Pires, com alguns recados para Portugal. Transcrevo duas das perguntas às quais a candidata a Primeira-Ministra pelo PUSD respondeu:

«A apenas alguns dias das eleições, o Primeiro Ministro Português, Pedro Passos Coelho, falou sobre a implosão do Estado da Guiné-Bissau por causa do tráfico de drogas, foi criticado por muita gente, porquê?

A poucos dias da eleição, falar da "implosão do Estado da Guiné-Bissau por causa do tráfico de drogas" é totalmente desadequado. Como ex-ministra da Justiça, responsável pela luta contra o tráfico de drogas, estou excepcionalmente qualificada para o afirmar. Indo às urnas para escolher um novo governo e um novo presidente, investido de uma nova legitimidade acima de qualquer suspeita, este é um momento de esperança. É hora de levantar a cabeça. Uma palavra de incentivo teria sido mais apropriado. Ainda menos justificada neste contexto, é a manifestação portuguesa de interesse em participar numa missão da ONU. Portugal recusou tropas para a operação dessa organização na República Centroafricana. Esta oferta seletiva é bastante desapropriada. Falar sobre cooperação também parece ser um equívoco. Cooperação envolve duas vontades independentes e baseia-se num diálogo. A decisão de anunciar os detalhes de um programa de cooperação na ausência de autoridades legítimas, pode ser percebida como unilateral e prematura. Alguma prudência seria apreciada por parte da antiga potência colonial. Portugal tem vindo a assediar a Guiné-Bissau nos últimos dois anos. Agora está na altura de respeitar a vontade do povo, expressa pelo voto. Se for eleita, não vou tolerar ofensas contra a soberania, ou que menosprezem o meu país. 

Há muitos portugueses no seu país, a Guiné-Bissau é uma ex-colónia de Portugal, esse país (Portugal) ainda demonstra um grande nível de envolvimento com a sua administração central, julga que isso continua a afetar a democracia interna? Como se propõe lidar com isso? 

Os portugueses na Guiné-Bissau são nossos amigos, como ficou demonstrado, há dois anos, ao criticarem Portugal pela tentativa de "evacuar" os seus cidadãos, após o golpe (na realidade não passava de pretexto para uma eventual intervenção militar). Dos cerca de cinco mil portugueses no país, nem um único se dirigiu ao Consulado com esse fim. Esses portugueses não estão envolvidos na administração central, sendo, principalmente, comerciantes, agricultores e cooperantes, mas não têm quaisquer responsabilidades ao nível do estado. Infelizmente, o problema ocorreu há 40 anos, quando o país, ainda sem recursos humanos preparados para assumir os destinos da nação, rompeu com os quadros da administração colonial, promovendo pessoas mal preparadas e pessoal que estudara na antiga União Soviética, sem consistência ou criatividade para enfrentar os desafios e limitações no terreno, treinados para obedecer e não para pensar motivados pelas suas próprias cabeças ou para caminhar pelos seus próprios pés. Faço minhas as palavras de Amilcar Cabral, quando disse que "a nossa luta não é contra o povo português, mas contra o regime colonial." Hoje, somos contra a mentalidade neo-colonial nas relações bilaterais com o executivo de Portugal, o qual aliás tem sido bastante contestado internamente.»

Ver fonte.

O papel da mulher

Estas eleições ficaram marcadas por um grande debate em torno do papel da mulher na sociedade guineense.

Como afirmou Arregado Mantenque Té, nesta terça-feira, no debate promovido pelo Movimento Acção Cidadã, no Centro Cultural Português, sob o lema «Casa ku nô djunta», difundido pelas rádios nacionais em directo e que acabei de ouvir na Rádio Rispito, as mulheres são especialistas em tomar conta da casa. Porque não escolher uma para tratar di nô Casa Garandi? O candidato às presidenciais acrescentou depois que, caso seja eleito Presidente, gostaria de ter Carmelita Pires como Primeira-Ministra.

Acaba de sair, na Voz da América, uma entrevista com a candidata do PUSD às eleições legislativas.

quinta-feira, 10 de Abril de 2014

Boca de aluguer

Artigo de opinião de Fernando Ká, no Público:

«Os guineenses, sozinhos, serão incapazes (...) futura exploração mineira/petróleo, pelo menos durante o período de cinco anos sob o controlo conjunto entre o Governo e as Nações Unidas.»

Gato escondido com rabo de fora...

Faltava ká a desavergonhada boca de aluguer, ao serviço de inconfessáveis interesses luso-angolanos, agitando espantalhos tribalistas. Como sempre, usurpa o título de «dirigente» associativo: legitimidade ká tem, sugerindo uma representatividade que só existe na cabeça dos seus patrões.

Recomenda-se-lhe vivamente a leitura do artigo publicado ontem pela candidata a Primeira-Ministra, Carmelita Pires, sobre o mesmo assunto.

Recuperando um bom conselho: fique calado.

quarta-feira, 9 de Abril de 2014

Um abraço à(o) futura(o) Primeira(o)-Ministra(o)

Fiz pequenas alterações ao texto que enviado pelo Filomeno Pina, não só por uma questão de igualdade de género, mas tratando-se sobretudo de salvaguardar todas as possibilidades, por remotas que pareçam a algumas(uns) [que não estão ao abrigo de uma surpresa, na semana que vem, quando forem anunciados os resultados]. Em Bissau, hoje, todas(os) falavam, com admiração, acerca do repto lançado por Carmelita Pires aos pequenos partidos... Espero que o autor não me leve a mal (pode até dar-se o caso de o poupar a um erro de género, por erro de cálculo).

«Desejo à(o) futura(o) Primeira(o)-Ministra(o) da Guiné-Bissau a melhor sorte na prática política da sua governação, no exercício da função de Chefe de Governo, haja firmeza no controle e gestão dos recursos territoriais, que execute com inteligência e sensibilidade específica, a gestão empreendedora de projectos, de acordo com as necessidades do País. 

Com objectividade consensual e selectiva, convém separar as águas, com a nitidez possível, traçar prioridades francas e assumir com toda a frontalidade as escolhas do País. Seja nos projectos nacionais, seja nos internacionais. Tendo em consideração que nem tudo que vem à rede é bom "peixe". 

Atentos a projectos oportunistas, mafiosos, e para fins de branqueamento de capitais, serão estes os projectos que não servem os reais e verdadeiros interesses do Povo. Devem ser simplesmente reavaliados e reconhecidos, passados a pente fino, todos os projectos que estão a operar no País. Criar um Gabinete de Controlo de Qualidade dos projectos, com objectivos nacionais claros e realistas, através desse organismo tomar o controlo e o reconhecimento do que se faz ou se projecta para o País. 

Assumir o controlo técnico de prevenção-primária (informação/estudo de projecto), a seguir continuar a fazer prevenção-secundária, i. é, quando um projecto opera no terreno, há que vasculhar de "lupa" a sua actuação total, como uma constante, ver o que se passa e, controlar sem timidez ou complexos o seu desenvolvimento e evolução no terreno. 

São sempre bem vindas as ofertas que nos chegam de projectos para a Guiné-Bissau, mas devemos acautelarmo-nos numa análise de conteúdos programáticos, seus objectivos, a curto, médio e longo prazo. Sobretudo estar atentos aos objectivos traçados vindos do exterior para dentro do País ou não. Muitas vezes o exterior prefere “impor”, a escutar ideias diferentes, igualmente verdadeiras, evocando necessidades do País, A velha máxima de, quem paga manda, não pode ser admitida. 

Vamos pautar-nos por uma sintonia realista (projecto/necessidade) em relação aos itens de avaliação no terreno, consequentes e realistas para a nossa sociedade. Aceitar só depois de estudo e avaliação da necessidade, escolher bem e de acordo com a nossa necessidade/realidade do Povo. 

Acreditação de Projectos e sua equipa técnica no terreno, é uma necessidade imperiosa de momento, a ter em conta, para evitar confundir gato por lebre (por exemplo, confundir “sapateiro” por médico, etc.). Há que pautar pela excelência de qualidade de serviço, em tudo que esteja a operar no terreno. Exigir a integração de observadores nacionais do Gabinete do Controle de Qualidade sempre que se justificar.

 Custe, embora, com as carências que o País atravessa, mas não podemos facilitar ou permitir - nenhum controle - da parte do Governo. Nunca! há que assumir responsabilidade da Nação em tudo que laborar, em tudo o que se passar no território Nacional! 

Esta preocupação deve ser extensiva aos contextos comerciais, empresariais, industriais e socioculturais. Tudo isto considerado dentro de uma preocupação estrutural de desenvolvimento sustentado para o País como prioridade. Optar por projectos com "cabeça, tronco e membros", com perspectivas sérias de trazer benefícios humanos (de emprego e carreira profissional) e capitais financeiros para a nossa sociedade. 


Dada a situação crítica do País, faça-se o levantamento do estado da "coisa- pública", para termos uma noção exacta dos problemas do território nacional, do que há atrás do cortinado, todo o lixo debaixo do tapete, por detrás dos armários, em “arquivos” da corrupção, guardados ao longo destes anos que, progressivamente, minaram o desenvolvimento do Estado e suas infraestruturas no País. 

Há que arrancar desde o início desta governação com a convicção absoluta de vencer por etapas qualquer obstáculo. Sabendo de antemão que varia a natureza da dificuldade, a partir do seu conteúdo e exigência de preparação/ transformação deste no terreno, i. é, sempre que a situação de mudança em causa, ditar a substituição da "peça" por outra mais eficiente, faça-se sem excitar! 

Ao camarada que tomar os destinos do Povo nas mãos, convém lembrar que um governo serve para governar, espera-se que decida e avance no terreno! Sendo que primeiro pensa maduramente nos prós e contras da sua decisão, sabendo medir as consequências da sua decisão, actos, perante instituições do Estado e o Povo, assumindo frontalmente as medidas implementadas! 

O estado do País assusta qualquer um, embarcar neste comboio de mudança com novo rumo, será o desafio. Mas, se desde o princípio insistirmos com comportamento assertivo, gerador de confiança e de credibilidade, este governo irá juntar cada vez mais adeptos da sua opção, apoiantes da causa, sempre dispostos a lutar pelo progresso nacional, com o governo eleito. 

Sobretudo, porque reconhecendo o programa político do governo, todas as prioridades com as quais se identifica na resolução desta crise, rapidamente o nível de esperança e de credibilidade ascende, fazendo com que todo o trabalho necessário seja possível realizar com o apoio da esmagadora maioria de nacionais (todos somos poucos) confiantes no sucesso esperado. 

Por isso optamos por - Treinador(a) Inteligente - que seja catalisador(a) e bom(a) gestor(a) de empreendedorismo surgido na relação da(o) cidadã(o) com o Estado, nos domínios do projecto de desenvolvimento sustentado para o País. 

Queremos um(a) Primeiro(a)-Ministro(a) activo(a), um(a) bom(a) mediador(a) político(a) no centro da questão da governação. Com o perfil e sensibilidade humana centrada no cerne das questões, da classe política, da classe castrense e sociedade civil. 

Que traga sempre as “lições” estudadas com os seus respectivos Ministros e gabinetes ministeriais (uma forma de manter controle e reconhecimento do trabalho realizado ou a realizar). Um(a) Primeiro(a) que seja Homem (Mulher)-forte, corajoso(a), tranquilo(a), hábil, diplomata e revolucionário(a). Que traga o Povo ao colo como prioridade das prioridades, sempre! Que saiba responder bem informado(a) sobre a situação de cada Ministério, sempre que for chamado a prestar contas, de fio a pavio, acerca de cada "pacote" de medidas equacionadas no terreno, tendo em conta o problema, e seu conteúdo de programa de Governo. 

Apelo especialmente à(o) Primeira(o)-Ministra(o) para a constituição de um governo apartidário, alicerçado na meritocracia, experiência e carreira profissional reconhecidas. 

Composto por indivíduos com disponibilidade total para o exercício do cargo público (devendo ser incompatível com o exercício profissional no privado, paralelamente no Estado), primando pela transparência e imagem positiva do Estado, através da escolha de Ministras(os) (pautar pela honestidade, competência, postura pública bem aceite, no que concerne a imagem moral e patriótica do cidadão), devolver confiança política ao Povo. 

Exigir obrigatoriedade de apresentação da relação de bens materiais (móveis e imóveis) dos indivíduos mandatados para os cargos governamentais, antes e depois do mandato, e confirmado pelo Ministério da Justiça e Ministério das Finanças, como forma de transparência, de igualdade de circunstâncias e de Direito no seio do Governo. 

Sem me querer imiscuir na “filosofia governativa”, permitam a sugestão de sublinhar a minha opinião em ver o Ministério dos Negócios Estrangeiros, a manifestar uma diplomacia-politica mais activa! 

No sentido de proteger a dignidade do Estado, por um lado, e por outro, estar atento às nossas infraestruturas de comércio, indústria e do turismo, sem contudo, substituir os respectivos Ministérios, mas assumir também uma postura de “postal” de visita/divulgação no exterior do País, de forma mais sistematizada, através da atitude diplomática no exterior, menos inibida nas relações internacionais e mais agressiva nas suas intervenções concertadas.

Penso que esta mudança era capaz de resultar muito bem, no sentido de não só melhorar a imagem do País (dar a conhecer ao mundo), como também de contribuir na divulgação do nosso património cultural, físico e material, tendo como objecivo primordial, as compensações/contrapartidas materiais e financeiras positivas, que daí o País possa retirar o melhor, só. 

As medidas a tomar vão ser muitas, sabemos com certeza, e erros haverá, só quem nada faz não os comete, saibamos então evitá-los atempadamente e se possível, antecipando-os a todos! Por isso, vamos indo e vamos vendo, passo a passo, acertados num ritmo concertado, avançar com sentido de responsabilidade, convictos sempre das decisões a tomar para cada caso específico. 

Boa sorte a todos. Não haverá derrotado(a), a luta continua e a vitória é certa! 

Viva a República da Guiné-Bissau. 

Djarama. Filomeno Pina»

Promessas leva-as o vento

O povo está farto de promessas, segundo a Voz da América. «Moctar Djalo disse estar cansado de ouvir tantas promessas dos políticos guineenses nos debates e nos comícios.»

Quando a esmola é muita o pobre desconfia.

DSP promete um computador com ligação à internet para cada criança? Ok.

Povo ka burro.

Portugal Namora Zamora

Esta segunda-feira, uma mesa redonda promovida pela Universidade Católica, dedicada ao tema do pós-eleições na Guiné-Bissau, contou com a presença de várias altas patentes militares e tinha como orador principal Zamora Induta, o qual, no entanto, se esquivou a responder às perguntas dos jornalistas.

Esteve também presente o ex-embaixador Francisco Henriques da Silva, co-autor de um livro a lançar esta quarta-feira, dia 9 de Abril, no Palácio da Independência, em Lisboa, o qual fez declarações impróprias e infelizes. Insiste, à viva força, em propor «apoio externo» para o país, afirmando que «os guineenses sozinhos não conseguem» resolver os seus próprios problemas. E insiste numa força internacional da ONU...

Diz: «eu entendo...»; «tem que haver...». Mas quem se julga o senhor para entender ou ditar ordens aos guineenses? A poucos dias das eleições, que deverão legitimar novas autoridades legítimas, o momento escolhido é altamente inoportuno e contraria as intenções anunciadas no livro de «tentar não tomar partido». O livro, segundo os autores era suposto acabar a 12 de Abril de 2012... afinal pretende ocupar-se também do futuro pós 13 de Abril de 2014, que aos guineenses pertence?

Fonte: noticiário África da DW, dos 17'57 aos 19'01.

terça-feira, 8 de Abril de 2014

Baú de recordações

O embaixador Francisco Seixas da Costa, que vai alimentando o seu blog com deliciosas historietas das suas andanças diplomáticas ao serviço de Portugal, publicou um contributo em jeito de in memoriam de Kumba Yalá.

Avião carregado

O material de campanha para o PAIGC veio todo de Angola. Domingos Simões Pereira vendeu o futuro do país a José Eduardo dos Santos.


Esperemos que o papel seja macio, pois não servirá para outra coisa, para além de limparem o rabo. O povo apostará na independência.

Ver notícia.

Reuters & BBC

Os ingleses andam mal informados...

A BBC acaba de publicar um artigo, já reflectido por inúmeros sites e páginas, no qual omite o candidato Paulo Gomes, citando apenas «os melhor posicionados» José Mário Vaz, Abel Incada, Nuno Nabiam e, pasme-se! Nazaré de Pina Vieira!

A Reuters, por seu lado, se acerta no título do seu artigo dedicado às eleições na Guiné-Bissau

«Disarray could see outsider win key Guinea-Bissau election»

aplica-o apenas às presidenciais

«A máquina do PAIGC faz com que seja quase certa a vitória nas eleições para o Parlamento e garante ao senhor Vaz um lugar na frente nas presidenciais. Mas, face ao descontentamento de muitos e um forte desafio por parte do candidato independente Paulo Gomes, a vitória do senhor Vaz está longe de ser garantida, disse o senhor Foucher [analista]. Muitos, nas Forças Armadas, vêem o senhor Vaz como uma marionete de Gomes Junior»

Este artigo da Reuters, citando o senhor Foucher, tem origem no seguinte artigo.

Não há favas contadas. Se os pequenos partidos se entenderem, há esperança: uma «outsider» pode ganhar as eleições legislativas!

sexta-feira, 4 de Abril de 2014

Agência noticiosa oficial ou moço de recados?

No momento em que o Governo guineense decretou um luto de três dias, a agência Lusa divulga, sem invocar para isso qualquer pretexto, a opinião de um «analista» angolano, cheia de «subtis» recados.

É altamente indecoroso que, com o corpo do malogrado ainda quente, se produzam afirmações como «O ex-Presidente Kumba Ialá «foi sempre um elemento desequilibrador no cenário político».

As necessidades tomaram a Lusa de assalto? Ou mudaram-se para o planalto?

quarta-feira, 2 de Abril de 2014

Orquestração ranhosa

Com o shampoo, veio a descobrir-se a razão para o emprego de tanto amaciador. Os provocadores eram apenas a guarda avançada, preparando «o clima» para o discurso do orador.

«Pedro Passos Coelho reiterou a disponibilidade de Portugal para participar em missões mandatadas pelas Nações Unidas, "como fizemos no Golfo de Áden ou na República Centro-Africana"»

A sua aparente «boa vontade», só tem paralelo na sua hipocrisia. Ainda há pouco tempo, quando confrontado com o pedido das autoridades europeias para a actuação urgente na República Centro-Africana, Portugal invocara a falta de condições financeiras para se envolver no envio de tropas. Ver notícia. Quanto aos militares portugueses envolvidos no «Golfo de Áden», são dois, um da Marinha outro do Exército. Sem dinheiro para mandar cantar um cego, até a sua «iniciativa» cai em saco roto, revelando um discurso oco e inconsistente, ditado por considerações alheias e inconfessáveis influências externas. Indigno vendilhão da sua própria soberania, não tem moral para se imiscuir na dos outros.

A anunciada disponibilidade para o envio de tropas, deve portanto ser entendida como limitada à Guiné-Bissau. O senhor Primeiro-Ministro está equivocado e desactualizado. O país não «está submerso numa grave crise político-militar», pelo contrário, está a sair com sucesso de um processo de transição, como reconheceu o Representante local da União Europeia. E a ONU está longe de pensar numa Missão na Guiné-Bissau (reconhece até que as eleições estão a ser bem preparadas), ainda para mais com fogos por apagar noutras bandas (a cuja chamada o agora candidato a bombeiro se negou).

É óbvio que as declarações do Primeiro-Ministro português é que são «um caso revelador» (e não a Guiné-Bissau) e se inserem na sua psicopatia e numa estratégia mais vasta e orquestrada de desestabilização do processo de transição.

1) Estão desactualizadas e apenas chamam a atenção para a derrota da sua política externa

2) São desadequadas e inoportunas, face ao próprio falhanço da Cimeira Europa - África

3) A óbvia má-fé implícita, de forma pouco subtil, é, a todos os níveis, altamente condenável

4) Que dividendos espera retirar, o senhor Primeiro-Ministro de Portugal, da «implosão do Estado» que preconiza, para além de uma inglória desforra de Pirro?

Obrigado, caro irmão Samba, do Rispito

Menino de coro

De pouco decoro. A Liga, como sempre, na onda «certa». Atente-se nas «oportunas» apreensões do seu Presidente (atenção ao «padrão», que o «artigo» traz a mesma «assinatura», não é nenhum comunicado, são declarações «espontâneas», caídas do nada; já a um comunicado em forma, endereçado a Angola pelo mesmo, não foi dada essa relevância, neste orgão Lusófono). Se não fica bem ao presidente da Liga Guineense, muito menos fica aos jornalistas da LUSA (e do Expresso, que o reflectiram).

Resposta da UE

Só para por os pontos nos iis, às ridículas insinuações veiculadas pela Lusa e DN:

«Joaquin Gonzalez-Ducay sublinhou que, neste momento, o país vive uma oportunidade única de devolver o poder ao povo guineense através de eleições livres, justas e transparentes.» As novas autoridades serão legítimas e soberanas, a União Europeia está a perder a paciência para as birras deslocadas de Lisboa.

O Senhor Representante aproveita a boleia para tentar reabilitar o papel da União Europeia nesta já longa e triste história «tendo negado que a sua organização suspendeu apoios ao povo guineense, que considerou como um povo muito importante». Terminando com «estas eleições são uma oportunidade histórica»

Ver fonte.

Ex-qualquer coisa

Um português de nome banal e fácil de esquecer, sem que fosse chamado para o caso (seria interessante que o jornalista Luís Manuel Cabral contextualizasse a relevância da desastrosa e pouco abonatória opinião de um vulgar cidadão, que tentou desastradamente transformar em «notícia» na secção Globo, de outra forma os seus leitores só poderão concluir pela mal disfarçada encomenda), pronunciou-se em termos injuriosos, em relação às forças armadas de um país estrangeiro. Pequeninos, os militares guineenses? E propõe-se bater-lhes? Um fedelho armado em mauzão? Por vias oficiosas pouco subtis, continua a campanha ofensiva para com a soberania guineense, tentando agourar o processo eleitoral em curso. Quem fica mal na fotografia é, uma vez mais, Domingos Simões Pereira, citado como cúmplice da infeliz brincadeira de mau gosto. Um artigo, este lixo? Ó senhores editores!

Bravo Bambaram di Padida! Mesma reacção, sob o título: «Os cães ladram e a caravana passa»

Muito dinheiro e pouca convicção

Na imagem publicada no Yahoo Chile, com origem na agência espanhola EFE: dois megafones flamejantes de novos, muito material de campanha, mas poucos ou nenhuns ouvintes, até dá para coçar os ...

A diária é claramente bem vinda, mas a convicção é pouca ou nenhuma. A falta de entusiasmo traduz-se na legenda que o jornalista achou por bem acrescentar: «Adeptos preparam-se para UM acto eleitoral».

Um qualquer? Nem sequer refere a dignidade de ser o «próximo»? Poderíamos indignar-nos por este jornalista não deixar qualquer hipótese à esperança de um povo. E, realmente, ela não mora ali...

Fiasco da Cimeira UE-UA

Sem a presença da Guiné-Bissau (pioneira no boicote à Cimeira Europa-África) e da África do Sul, o evento tornou-se um verdadeiro fiasco, agravado pelo apelo ao boicote desta iniciativa da UE pela UA.

O discurso africano europeu, encabeçado pela França (incapaz de se reinventar), faliu. É uma visão errada, partir do princípio que são os africanos que precisam dos europeus (precisam todos igualmente uns dos outros e só assim se poderá repensar África).

Neste momento, pelo contrário, são os europeus, face à emergência de outras potências (traduzidas em Cimeiras concorrentes), que, se não mostrarem mais-valias na sua pretensa «presença civilizacional», ou na sua capacidade de mediação, verão as suas «relações privilegiadas» com o Continente degradarem-se rapidamente.

Ver Expresso.

La Vieille Afrique

A revista «Jeune» Afrique publicou, por ocasião do dia da Mulher, um artigo completamente demodé: «As 20 mulheres africanas que fazem mexer o continente». Na realidade, trata-se de um artigo preconceituoso: os critérios de selecção são altamente duvidosos. Como é possível que, num artigo supostamente defendendo a igualdade de género, o currículo da maior parte das «nomeadas» se resuma a ser apresentada como «filha de...» ou «mulher de ...», ou até, «ex-mulher de...».


E a candidata às eleições presidenciais argelinas, Louisa Hanoune? Ainda ontem o Le Point lhe dedicava um artigo intitulado «A Dama de Ferro»... isso faz-me curiosamente lembrar a questão lançada pelo artigo do jornal senegalês Dernière Minute, de língua francesa, referindo-se a Carmelita Pires «Une "Dame de Fer" africaine à l'horizon?». Definitivamente, o título JA envelheceu, está minado por uma visão machista e caquética. Recomenda-se como castigo o cancelamento da assinatura.

segunda-feira, 31 de Março de 2014

DSP joguete da CPLP

Domingos Simões Pereira chega a Bissau apresentando mandato de José Eduardo dos Santos e de Rui Machete?

Essas credenciais estão fora do prazo de validade. Esse aval não vale.

O que DSP precisava, para governar, era do confiança do povo guineense, não de «garantias da comunidade internacional» para a «sua» governação, que se arrisca, por esse caminho anti-patriótico, a nunca chegar a acontecer. Pelos vistos já há uma série de virtuais vencedores. Mas talvez seja cedo para favas contadas... Até ao lavar dos cestos, é vindima.

DSP desperdiçou inglória e lamentavelmente tudo o que construiu com o seu esforço (com a desmarcação em relação a CGJ). E não foi por sua iniciativa, que decerto preferiria manter as aparências de um virtual afastamento, mantendo um púdico véu sobre o assunto pelo menos até às eleições; o pior mesmo (e que hipoteca não só a sua independência futura como a própria soberania nacional), é t€r $ido obrigado (e se ter sujeitado) a assumi-lo publicamente, retirando-lhe toda a margem de manobra.

Além disso, os sinais não são os melhores: as autoridades de Angola e de Portugal revelam a sua má fé no presente processo eleitoral, manifestando procurar, neste momento, apenas uma impaciente desforra, relativamente ao enxovalhanço que sofreram nos últimos dois anos, nem que a custo da desestabilização do país.

Mas o tiro vai sair-lhes pela culatra. Povo ka burro.